segunda-feira, 12 de março de 2012

MAR MORTO

Não é de agora a nossa tatuagem...

Fomos marcados em tempos distantes,
no  longínquo país das poesias,
e éramos, os dois, seres vagantes…
Seres libertos do sim e do não,
a navegar no mar das fantasias,
sem mergulhar no poço da ilusão.
De quando as fadas nos acompanhavam,
e os anjinhos da guarda nos zelavam
contra os perigos da desilusão.

Não é de agora a nossa tatuagem...

E se aqui, na Terra, de passagem,
nós nos reencontramos novamente,
é que, em meio ao louco turbilhão,
essa misturação de tanta gente,
fomos tecidos do mesmo cordão.
Nascemos frutos da mesma semente.

Não é de agora a nossa tatuagem...

Se a nossa união vem de outrora,
e se temos o amor por engrenagem,
no mundo da paixão é diferente.
É cada qual por si. Isso é normal!
Mas… Sereno como a brisa matinal,
você seguiu em frente, porto a porto,
segundo o ritual da cabotagem.
E eu, sob os presságios da paixão,
virei um anjo à toa, um anjo torto.
Que em meio aos vãos apegos da emoção,
perdeu a rota, o rumo da viagem…
Afogou-se nas águas de um mar morto!


Kátia Drummond

Foto: Kátia Drummond. In Sweden.

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