domingo, 25 de novembro de 2007


SENDA

Seguir o melhor caminho...
por pior que seja a estrada.

Nada é antes, nem depois.
É só durante. Mais nada.


Kátia Drummond

Arte: Kristy-Anne Glubish

APENAS

Não perguntem quem sou.
Leiam meus versos.

Antes que o sol apague.


Katia Drummond

Foto: ACraig Tuttle

INEXPLICAVELMENTE

Entre o nó na garganta e a dor no peito,
lá vou eu, titubeante passageira.

Nau sem destino, pátria sem fronteira.

Inexplicavelmente, brasileira.


Kátia Drummond

Fotógrafo não identificado.

POEMAR

Se eu ainda poetizo,
é pra alimentar o sonho.

E não perder o juízo.


Katia Drummond

Foto: Natan Souza.

O PÁSSARO

Eu, pássaro libertário,
voando traço rotas.

O vento apaga os rastros.


Kátia Drummond

Foto: Karen Su

domingo, 11 de novembro de 2007


POETA NÃO MORRE. DESENCANTA!

Brasa que arde incessantemente,
e que, mesmo nas chuvas, não apaga,
por ser pagã, sou muitos firmamentos.
Por ser ateia, mais que encantada!
Por se poeta, todos os rebentos.

Assim havendo, quando nos encantos
soam, em murmúrios, as torrentes,
e ecoam em suas tumbas os fantasmas,
tambores rufam dentro do meu peito.
E nos sangues e linfas secam os plasmas.

Não a morrer. Mas... a desencantar.
[Encantados não morrem. Desencantam!]
Desintegrar-me, transmutar-me em verso.
Evanescer... qual nuvem passageira.
E explodir estelar no Universo!


Kátia Drummond
Em outono português. Sintra, 2007.

Imagem: Lawrence Manning.