sexta-feira, 24 de julho de 2009


SÊMEN

Não é o sol, nem a lua.
Nem a chama mais brilhante.
Somente a minha poesia
faz-me um ser irradiante.
E, por ser iridescente,
brilhar na alma da gente.
Como quem afaga o tempo,
indeterminadamente.

E a cada palavra incerta,
a cada estrofe mordaz,
decodificar o verso
em enigmas transversais.
E dele, extrair o sumo,
o sêmen vivo e fecundo,
de onde brota a poesia
que eu espalho pelo mundo.


Kátia Drummond
Em inverno brasileiro. Salvador-Bahia.


Imagem: Dave Michaels

Um comentário:

Kanauã Kaluanã disse...

E deste sêmen plantado em "inverno brasileiro", fazes nascer flor em terras sãs de Salvador...

Querida Kátia.

Vim hoje aqui trazer uma flor de sol para os cabelos da tua poesia, como um celebrar a chegada da primavera no Brasil [cujo calor já me antecede de saudades]. Mas sou sempre eu que saio do teu espaço com a alma cheia de pétalas... a essência da tua poesia já criou raízes no meu solo nordestino, sedento de fertilidade poética.

...

Em breve estarei carregando minha bagagenzinha de livros para o outro lado do Atlântico, e não gostaria de ir sem levar obra tua. Semana que vem, estarei na Bienal do Livro em Recife/Olinda, e gostaria muito que me disseste em que editora(s) tens publicações, para que estar lá valha mesmo a pena.

Um beijo.

Katyuscia.