sexta-feira, 30 de dezembro de 2011


AQUI  E AGORA,  SEMPRE

Ainda bem que o eterno não existe.
Pois se eternamente a vida fosse,
eu bem seria eternamente triste.

Ainda bem que aqui tudo é finito.
Pois se infinitamente tudo fosse,
meu coração seria sempre aflito.

Ainda bem que tudo se transforma.
Pois se imutável a matéria fosse,
o nosso amor sequer teria forma.

E na certeza incerta do momento,
em quando tudo muda a toda hora,
eu faço da saudade o alimento
que perpetua o amor aqui e agora.


Kátia Drummond

Foto: Lawrence Manning/Corbis